Ao contrário do que muita gente pensa, a Bíblia fala pouco sobre Satanás. Talvez seja assim porque ele é um ser que, do ponto de vista humano, não mereça muita atenção, e por isso não deveria ter excesso de referências em um conjunto de livros direcionado a toda a humanidade. E por fazer sentido que talvez seja assim, ao escrever sobre ele a última coisa que quero é dar atenção indevida ao tema.
Mas uma enorme parcela dos cristãos se preocupa demais em conhecer melhor o diabo e seu suposto reino de demônios. A quantidade de material escrito e atenção retórica dada ao assunto é completamente desproporcional ao volume de informação constante na própria Bíblia, que não é significativo mesmo com textos forçadamente atribuídos a uma revelação acerca de Satanás.
Portanto, a atenção dos textos neste espaço em que porventura constarem pensamentos, argumentações ou reflexões sobre a natureza, origem, caráter e modus operandi de Belzebu não serão para por os holofotes no Maligno, mas para tentar desfazer ensinamentos folclóricos apresentados como fato comprovado, atestado pelas Escrituras e pela teologia. E por grande parte do folclore cristão buscar bases bíblicas para a perpetuação de suas ideias pouco plausíveis, procurarei seguir uma sequencia bíblica de possíveis aparições do Adversário, analisando-as.
Pensando nesta sequencia, falarei sobre o mito da Serpente, as referências em Jó, as já amplamente debatidas falsas referências no Antigo Testamento, as menções de Jesus nos Evangelhos, as citações nas epístolas e as confusas aparições do Apocalipse. Apesar de usar a sequencia bíblica como parâmetro metodológico e, de certa forma, cronológico, o pensamento teológico não será a principal ferramenta, inclusive devido à minha falta de credenciais em tal área. De fato, se fosse aplicar a solitária área na qual tenho credenciais, a única coisa que poderia construir sobre o tema seria um diagrama de caso de uso abordando o consumo de frutos das árvores do Éden. Apesar disto, assuntos como mal, demônios e guerra espiritual obviamente são conexos a esse, e tratados obrigatoriamente de passagem.
Por fim, creio que a intenção de destruir mitos não é tão nobre a ponto de me motivar a lançar uma série de textos. Adam Savage e Jamie Hyneman fazem isso de forma mais divertida e eficaz para o entretenimento. Pretendo ao fim, primariamente, defender que, retirando o folclore construído por má interpretação textual ou por uso de textos bíblicos inadequados, há uma imagem de Satanás que se torna consistente ao longo de todo o texto das Escrituras – a de um corrupto promotor de justiça . Estranho, sei, e explicar isso leva tempo. E por isso será uma série, não apenas um texto.

Gostei da idéia e tô doida pra acompanhar a série. Quero saber mesmo se o cabra é rabudo e vermelho =)
Camarado, tenho gastado um tempão meditando sobre anjos, sua natureza. Seu estudo será aguardado com expectativa (e perdoe-me a redundância!).
Eu postei um prefácio das Cartas de um diabo, dá uma olhada nele, pode ser interessante para ti: http://waltercruz.com/log/prefacio-de-cartas-do-inferno
Camarado? hahaha logo se vê que o #pogramadorbugado passou por aqui..
Opa!. Vamos a série então…=)
Legal cara, impressionante mesmo é o que já citou: a falta de referência claras ao “canhoto”
O Walter citou a obra de Lewis, justamente a única a qual eu critico piamente hehe
Rap, exponha suas críticas
[...] O Adversário – A Antiga Serpente Texto parte da série O Adversário. É recomendável ler os motivos expostos na Introdução. [...]
ok, li o começo. vamos a segunda parte…
lembrou a explicação das cartas mesmo
obra que,ao contrario do rap, defendo veementemente rsrsrs
li o começo, vamos a segunda parte (2)
=)