Este texto é uma continuação da série O Pátio do Galardão.
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Em um instante via meus estimados cães agitados ao nascer do Sol. Apenas pisquei, mas foi o suficiente para que tudo mudasse. Quando minhas pálpebras se recolheram , meu pomar, meu caminho ladeado por pedras, meu gramado, minha casa e tudo à volta tinha desaparecido. Pode ser difícil crer, mas não fiquei surpreso. Era como se eu já esperasse por aquilo.
Logo estava em um lugar que não vou tentar descrever. Seria inútil, já que ninguém entenderia como é. Cada um faria uma imagem mental baseada em coisas que já conhece, e tal imagem não seria digna sequer de ser chamada de aproximação grosseira da aparência daquele pátio em que estava. As pessoas a quem conto esta história devem se contentar em saber que havia um pátio de vários níveis, sendo que no mais alto havia um trono simples e rígido, porém imponente, e ao lado do trono algumas bonitas cadeiras. O pátio, mais extenso do que a compreensão pode alcançar, tinha canteiros com plantas e flores indescritíveis. Mais uma vez, as pessoas devem se contentar em saber que eram esplêndidas.
O pátio estava cheio de pessoas. Se o pátio tinha dimensões além da compreensão, talvez não seria necessário dizer que inumeráveis pessoas estivessem naquele lugar, mas o digo para enfatizar. Era uma quantidade realmente grande e causaria assombro em qualquer um. Não do tipo de assombro diante do número de ativistas em uma passeata, mas do tipo de assombro que se tem quando, uma vez fora da cidade, se olha o número de estrelas no céu noturno e sem nuvens e a mente resolve lembrar que aquela é uma pequena fração de todos os astros que existem.
Quanto às pessoas no pátio havia ainda algo bastante interessante. Bastava olhar para uma delas para que se soubesse tudo sobre a sua vida, suas ideias e atitude quanto às outras pessoas que viviam próximas. Não era como uma leitura de pensamentos, mas como uma compreensão completa de quem realmente aquela pessoa era. Não me assustei com tal capacidade nova, que seria o sonho de qualquer juiz – mais uma vez, era como se esperasse por ela. O pátio deixava claro que não era parte do mundo conhecido por todos, mas as pessoas, percebia-se logo, eram todas bem terrenas, humanos no sentido estrito.
Já quanto a mim, estava com o mesmo roupão ridículo que usava quando sentado na varanda. Até me envergonho de usá-lo na frente de alguém de fora, mas não me preocupava com isso então. A caneca ainda estava em minha mão direita, com fumaça ainda subindo. Minha imagem de roupão segurando uma caneca fumegante nas mãos remetia inegavelmente a Arthur Dent em suas primeiras aventuras fora da Terra, e não fosse pelo café em vez de chá seria uma representação perfeita. Ri-me um pouco quando percebi isso, e, com a capacidade adquirida há pouco de entender o pensamento das pessoas, percebi que vários à volta tinham pensado a mesma coisa.
Um Homem se colocou no nível mais alto então. Ao olhar para ele entendíamos que era o maior do homens e maior que os homens. Também víamos que prêmios seriam distribuídos em breve. Em pouco tempo passaríamos a entender o motivo das habilidades que passamos a possuir naquela ocasião.
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O Pátio do Galardão

Seria a formação de mais um super-time no melhor estilo super-heróis com uma provável missão evangelizadora? rs
Caramba, cara, de onde você tirou essa? hehehe Bem criativa sua tentativa de adivinhar o próximo capítulo… rs