Entre a Morte e a Vida

A ordem das palavras do título não foram fruto de um erro. Não me enganei ao tentar escrever a comum expressão “entre a vida e a morte”. Escrevi o que queria de fato escrever – algo que identifica um período entre a morte física e a vida física.

Não é algo incomum como parece. A antiga seita judaica dos saduceus julgava ser impossível que tal período existisse, já que a ressurreição, para eles, não era possível. Mas a maioria dos outros judeus entendia que a ressurreição era uma possibilidade. Cristãos em sua maioria entendem que os mortos estão em um intervalo entre a morte e a nova vida (ou nova morte). Espíritas acreditam que sequencias vida-morte-vida acontecem muitas vezes ao longo da história para uma mesma pessoa.

Até mesmo um procedimento de primeiros socorros é algo como uma ressurreição. Reanimar alguém com parada cardiorrespiratória é dar fôlego a quem estaria irreversivelmente morto em alguns instantes.

Mas houve um período entre a morte e a vida que foi especial. O mais triste e significativo deles, diria. Um sábado com amargo gosto de derrota e desesperança. Jesus estava morto e enterrado. Para os homens, a Luz parecia ter se apagado.

Rejeito a visão de Satanás em festa no sábado sombrio, até porque ela não se baseia em nada concreto. E a tristeza profunda do sábado em que Jesus parecia ter desaparecido para sempre atingia apenas os limitados homens. Anjos e demônios saberiam que a morte selava o plano de redenção – a ressurreição era o triunfo.

Pouco ou nada se sabe daquele sábado. Os evangelhos nada registram, talvez porque os discípulos nada fizeram. Jesus tinha executado vários feitos em sábados, mas naqueles sábado escuro os discípulos de Cristo voltaram à sua vida, tradição e medo. Guardaram o sábado como sempre fizeram. Ao contrário das palavras de Jesus, a Lei ainda estava em seus corações e mentes.

Não estou repreendendo os apóstolos e outros servos. Em sua limitada visão qualquer pessoa estaria em situação semelhante naquele dia silencioso, espectral e cheirando a morte, cansaço e perda.

Não entender o que Jesus disse sobre si próprio e sobre a humanidade pode gerar um eterno período entre a morte e a vida. Um longo sábado entre a crucificação e o túmulo vazio. Então depois da última páscoa se descobrirá que o cheiro de morte era o da própria morte, e o da perda era o da própria perda, pois Jesus já tinha vencido, e o triunfo apenas estava por ser demonstrado.

Que o Domingo dos Tempos não nos pegue desprevenidos e sem entendimento.

5 respostas a “Entre a Morte e a Vida”

  1. Will disse:

    De fato. Essa historinha sem vergonha de que o diabo fez festa, é imbecil. ele, o adversário, tentou evitar mas não obteve exito, pois a criação colaborou com a vontade divina.
    Forte abraço, excelente domingo…….ainda há esperança!

  2. kessia disse:

    interessante..
    a falta de entendimento os levou a falta de esperança.. tanto q é necessário q Cristo mostre suas feridas para q de fato eles acreditassem q Ele havia ressuscitado…

  3. Rap disse:

    Afinal pensar na morte e não aliar tal fato momentaneamente à ressurreição é negar tanto o sacrifício quanto a presença divina.

  4. kessia disse:

    na verdade seu texto me inspirou hehehe

  5. Will disse:

    Companheiro, tem um prêmio bom pra “bicho” lá no Celebrai!

    Abração!!!

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