Os olhos insistem em ver o que os anos teimam em demonstrar: tudo é efêmero. Com o tempo aprende-se bem a lição, e tudo que se enxerga traz consigo recordações de todo tipo, tanto saudade quanto alívio, tanto dor quanto alegria.
Mas fechar os olhos é contrariar tal ensino. Com o exterior encoberto não há mais a vaga sensação de lembrança, mas uma comovente e intensa vivência. O que era um saudoso detalhe lembrado em uma parte de algo torna-se o todo. De novo se vê, se ouve e se sente como aconteceu – às vezes, na verdade, é como se acontecesse!
As pálpebras são o caminho de volta e a chave para entrar em casa. Fechá-las sobre os olhos inquietos é percorrer toda a estrada até o antigo lar, e ter instantâneo e irrestrito acesso ao que normalmente é vazio, podendo tocar o que a vista informa ser mera sombra.

12/fev/2009 às 0:55 |
Lí seu post enquanto ouvia Beethoven (Moonlight Sonata). Sinistro.
12/fev/2009 às 14:22 |
Olhos, malditas entradas da alma! Pode-se ver a realidade com eles abertos e revermos o que hoje é quase um sonho com o seu fechar. Abrir e fechá-los é um exercício de consciência interessante.
12/fev/2009 às 21:23 |
os olhos são as chaves de casa e as chaves de nós mesmos. e eu acredito em ser possível voltar através deles. sério mesmo.
bisous.