Inexorável décima primeira hora

Acordei com uma vontade imensa de ser relevante.
Levantei de minha cama querendo fazer o mau mundo
Dar sonoros e severos passos rumo adiante e além.
Mas a xícara de café amargo me fez desistir de tudo.
O pequeno ponteiro próximo ao número onze indesejável
Informava em tom inexorável que eu cheguei muito tarde.

Carros e pedestres já agitam há muito as avenidas.
O som deles já preenche o ar desde bastante cedo.
São numerosos e abrangentes, e o medo me escraviza.
Já há mal demais, não há ação contrária a se tomar.
Como as formiguinhas eleitorais, sob estrelas e lua
Saem furtivos na rua espalhando perversos panfletos.

Sim, é tão tarde e tantos já leram! Estou inutilizado!

Entre a irritação auto-indulgente e vários discursos
Convulsivos e incontroláveis nascidos no fundo do ser,
Uma centelha pálida acende grande e duvidoso incêndio.
Por um instante, antes de reconstruir em hábil tempo
A confortável casa em que minha mente habita ditosa,
Vislumbrei a horrorosa fuligem dos porões esquecidos.

Ali vejo o não-ser entronizado, soberano sob e sobre o solo.
Sua majestade discreta na superfície esbanja então poder
E preenche a profundeza com infindáveis requintes malignos.
Sinistra visão que em segundos falou mais que toda uma vida.
Percebi que o fundo do meu ser era somente um tão raso vau.
No fundo real do não-ser estava o potente império da negação.

Sim, se eu acordar cedo farei igual! Estou inutilizado!

8 respostas a “Inexorável décima primeira hora”

  1. Sarah disse:

    Inutilizado de qualquer modo… Esse é o mal.

    (Tenho sérios problemas de sensibilidade para comentar poemas.)

    Té.

  2. nubia0012 disse:

    Às vezes, Teo, você vai muito longe. Tão longe que eu não consigo te acompanhar… sou desprovida das faculdades necessárias para tal…

  3. Teo Victor disse:

    Não apela, Bia! =)

  4. Edward. E. disse:

    “Ali vejo o não-ser entronado, soberano sob e sobre o solo.
    Sua majestade discreta na superfície esbanja então poder
    E preenche a profundeza com infindáveis requintes malignos.”

    essa foi a forma mais poetica de se dizer: sentei no vaso e caguei ate incher… temendamente profundo isso.. rsrsr

  5. Teo Victor disse:

    Pois é, cada um enxerga a poesia através de algo de si próprio. Se é isso que você vê nesses três versos, só posso entender que você tem merda na cabeça. :p haha

    Neeeeeeeeext!

  6. Sarah disse:

    rs… pelo menos no meu caso eu acho que é falta de sensibilidade sim, teo… mas há quem diga que é sensibilidade em excesso, heheheh. talvez um dia a gente ache um teste pra descobrir que tipo que é. =p

  7. Rap disse:

    Décima primeira hora? Tu ainda consegue? hehe

    Tem de se sentir inutilizado mesmo rs…

    Muito bom poema…

  8. Cléria disse:

    Vc Teo e um dos motivos que aproximo de Deus! Para dizer muito obrigada por menino.
    Grande Fé, Grande Ganho

    Percebendo-o Jesus, disse: Por que discorreis entre vós, homens de pequena fé, sobre o não terdes pão? Não compreendeis ainda, nem vos lembrais dos cinco pães para cinco mil homens…? S. Mat. 16:8 e 9.
    John McNeil, pastor nas ilhas britânicas, relata que certa vez pastoreou uma igreja que tinha pesadas dívidas. Isso o preocupava, e ele orou muito a respeito. Certo dia, um estranho foi ao seu escritório, disse que tinha conhecimento da dívida da igreja e ofereceu ajuda. A seguir, deixando um cheque em branco sobre a escrivaninha do pastor, disse-lhe que preenchesse o valor na quantia necessária, prometendo retornar mais tarde para assinar o cheque.

    O pastor não podia crer no que acabara de ouvir. Depois que o desconhecido partiu, ele começou a racionalizar: “Isso não pode ser verdade. Será que esse homem entende que nossa dívida chega a milhares de libras? Duvido que pagasse tudo, se soubesse o total. Mas ele me mandou colocar o valor completo. Não, isso seria injusto; seria querer tirar vantagem. Vou colocar só a metade do valor.” E foi o que ele fez.

    Quando o estranho retornou, assinou o cheque sem hesitar. Obviamente estava falando sério. O benfeitor da igreja era um bem-conhecido filantropo. Quando o pastor entendeu que o homem era plenamente capaz de cobrir a dívida, desejou ter escrito o valor total que a igreja devia.

    Ver o Invisível
    Que é a fé? É a convicção segura de que alguma coisa que nós queremos vai acontecer. É a certeza de que o que nós esperamos está nos aguardando, ainda que o não possamos ver adiante de nós. Heb. 11:1 (A Bíblia Viva).

    Antes mesmo que houvesse telescópios suficientemente poderosos para verem o planeta Plutão, Percival Lowell, astrônomo americano, cria na existência desse planeta em nosso sistema solar. Ele chegou a essa conclusão mais de 15 anos antes de o planeta ter sido descoberto por Clyde W. Tombaugh, no dia 18 de fevereiro de 1930.

    A crença de Lowell não foi nenhuma adivinhação ou palpite 0casual.
    Ele chegou a essa conclusão através de observações sistemáticas e cálculos cuidadosos das órbitas de Netuno e Urano. As perturbações que ele observou nessas órbitas o convenceram de que devia haver um planeta além de Netuno. Tão confiante estava Lowell na existência dele, que deu às primeiras duas letras do nome do planeta a ser descoberto ainda as iniciais de seu próprio nome – p e l. Predisse também que o planeta seria encontrado perto da estrela Delta da constelação de Gêmeos. A crença de Lowell foi confirmada após sua morte, quando Tombaugh fotografou e estudou a região sideral de Gêmeos e descobriu o planeta previsto.

    A fé na realidade do Céu, assim como a crença de Lowell na existência de Plutão, não é um palpite casual. Repousa sempre na “certeza” subjacente da evidência. Hypostasis, a palavra grega traduzida como “certeza” em nosso texto, é usada nos papiros antigos para significar um documento legal através do qual uma pessoa provava ser proprietária de um bem. Em outras palavras, um título de propriedade.

    Exercendo fé, você e eu podemos já considerar-nos na posse das maravilhosas coisas que Deus tem prometido. Isso nos capacita não só a reivindicar bênçãos prometidas para o futuro, mas a recebê-las e desfrutá-las agora. Dessa maneira, aquilo que os olhos naturais não podem perceber (I Cor. 2:14), é visível aos olhos

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