Mal foi publicado o livro O que estão fazendo com a Igreja¹, de Augustus Nicodemus, eu o adquiri. Não que eu seja obcecado por novidades, mas eu estava no lugar certo, na hora certa, diante do preço certo, com o carrinho de compras do tamanho certo e com o cartão de crédito com limite disponível certo. Só o frete não foi certo, pois o livro demorou duas semanas pra chegar.

Ao lado de títulos de Chesterton e Brennan Manning no mesmo pacote, peguei o livro de Nicodemus em primeiro lugar, possivelmente por tê-lo visto recentemente em um debate realizado na Bienal, divulgado no Pavablog. Ao contrário da demora na entrega, a leitura foi rápida e proveitosa. Realmente rápida: abri o livro e só parei de ler cento e quarenta páginas depois, porque precisava dormir para não trabalhar sonolento no dia seguinte. Do contrário teria terminado na mesma ocasião.
Tamanho interesse meu não pode ser explicado por qualquer novidade que o livro apresente. De fato, ele não traz nenhuma. Boa parte do que se fala sobre liberais e neopentecostais o leitor cristão informado já saberá, e o discurso calvinista de Nicodemus é conhecido de cor por muita gente, assim como a idéia de que os preceitos da Reforma são a solução para a crise da igreja evangélica brasileira. Não que eu discorde completamente, só que isso não é novo.
Meu interesse certamente pode ser explicado por dois motivos. O primeiro é estrutural. O livro nasceu de postagens de Nicodemus no blog O Tempora, O Mores, mantido em conjunto com outros dois autores. É diferente ler a edição das postagens no livro, mas elas mantiveram certas características de textos de blogs. As divisões são simples, diretas, coesas e fluentes. Não há uma linha lógica ou textual entre os capítulos, mas lê-los em seqüência não prejudica o aproveitamento, tal como ler seguidamente vários posts de blogs. Faltam os comentários. Mas quem sentir falta deles pode procurar as postagens originais.
O segundo motivo para meu interesse tem relação com a convicção reformada do autor. Tanto tempo rodeado por um discurso de uma maioria liberal faz a dúvida se tornar presente mais do que o necessário ou desejável. Nicodemus tem certezas. Certezas reformadas, calvinistas, evangélicas, históricas e bíblicas. Faz tempo que não leio livros de gente assim. Não que eu seja liberal. Também não me considero ortodoxo, mas aplico o conselho paulino para examinar de tudo e reter o que é bom. E lembrar que o cristianismo é fundamentado em certezas e em fé convicta faz bem. Gente como Nicodemus me faz lembrar que a dúvida serve como companheira, mas não como senhora.
Alguns podem se incomodar com o excesso de rótulos no livro. Liberais, neoliberais, neo-ortodoxos, neopentecostais, reformados, calvinistas, puritanos e fundamentalistas em várias subdivisões são algumas das classifições que o autor usa. Apesar disso, ele se esforça em não generalizar, o que nem sempre, obviamente, é possível. Reconheço, contudo, que é difícil se falar sobre movimentos teológicos e formas de pensamento sem se conceber grupos. É preciso dar uma licença aos rótulos nesse caso. Inclusive achei que o termo “esquerda teológica”, mencionado mas evitado pelo autor, faz todo sentido.
Enfim, é um livro que fundamentalistas (no bom e no mau sentido) podem considerar até mesmo apologético. Já os liberais, neo-ortodoxos e neopentecostais podem encontrar um contrasenso para reflexão.
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¹ Mundo Cristão, 2008.

13/set/2008 às 21:17 |
Uau! Que livro! No começo me deu vontade de ler, mas depois passou.
14/set/2008 às 12:40 |
Passou por quê?
15/set/2008 às 7:12 |
Pelo visto, está sendo delineada uma nova divisão entre os evangélicos, conservadores e liberais. Em vez de procurar a unidade sob o vínculo da paz, preocupa-se com diferenças. Parabéns pela postagem. Gostei do seu blog.
15/set/2008 às 13:07 |
O Calvinismo é uma teologia excessivamente violenta, introduzindo um Deus cruel, incompetente e culpado. Tanto que Calvino aprendeu o SEU evangelho aos pés dos papas violentos e criminosos. Júlio. Joanesburgo.
http://mastigandocinzas.blogspot.com/
15/set/2008 às 22:10 |
tenho q concordar com a irmã q escreveu q primeiro deu vontade de ler e depois passou… talvez pq eu não tenha entendido nada da crítica (tô precisando aumentar meu vocabulário).
Gostei do blog, posso voltar?
16/set/2008 às 8:17 |
Hehehehe…
Deu até vontade de ler o livro!
Quanto material rico se pode juntar agariando pelos tantos blogs de hoje!
Um abraço!
16/set/2008 às 18:02 |
Excelente site!!! matérias realmente muito interessantes!! vamos fazer um trocadilho irmão?? colocarei seu link no Blog da nossa igreja e tú coloca o nosso, ok!! aguardo sua posição! gde abraço, q Deus continue te abençoando!
16/set/2008 às 21:33 |
Eu particularmente gosto bastante de rótulos, diminui explicações prévias. Pensar que isso limita pensa é também pensar de forma limitada. Creio que deve ser um livro interessante, mas creio (e constatei contigo) que fala mais do mesmo…
17/set/2008 às 1:27 |
Grato pelo seu comentário no meu Blog; muito interessantes as suas perguntas, às quais vou dar a “minha” resposta [retórica].
Já publiquei a primeira “Mestre de multidão analfabeta”
Júlio. Joanesburgo.
http://mastigandocinzas.blogspot.com/
22/set/2008 às 22:50 |
Tenho ouvido e lido mt sobre esse livro e confesso q depois de ler o q vc escreveu por aki estou ainda mais animado.
=]
23/set/2008 às 22:40 |
Parabéns Teo, pelo espetacular e abençoado conteúdo deste blog!!!
Um abraço fraternal e fique na Santa Paz!!!
13/nov/2008 às 15:34 |
Um manifesto reformado
Desde 2005, três amigos se revezam nos comentários sobre os mais diversos assuntos que se referem à vida da igreja e à sociedade. Em comum, a pena afiada, a identidade reformada e o zelo pela fé cristã. O palco escolhido por Augustus Nicodemus , Mauro Meister e Solano Portela é o blog O tempora, O mores (Que tempos os nossos! E que costumes), referência à célebre frase de Cícero (106-43 a.C).
Dentre as centenas de textos postados por eles, Augustus Nicodemus selecionou alguns dos seus para se projetarem além da blogosfera, e assim oferecer suas percepções sobre a igreja evangélica e sobre o que entende ser a ascensão e queda do movimento evangélico brasileiro.
recomendo,…
15/out/2009 às 12:42 |
Estou começando a ler o lívro e de início penso que é uma crítica mui necessária ao verdadeiro balaio de gato que estão fazendo com a igreja ou igrejas como prefiro de Cristo. Creio que se nos calarmos estamos dando consentimento. Creio que o livro tem mais coisas positivas que negativas. Espero que ele sirva a uma reflexão mais profunda a um cristinismo irreflexivo e pautado em experiencias pessoais do qual a bíblia só é citada quando interessa. Parabens pelo blog, abração.
18/dez/2009 às 20:16 |
se uma pessoa que vive em uniao estavel sob o mesmo teto,se converter e desejar se batizar,mesmo que seu conjuge nao queira se casar,ela poderar receber o sacramento do batismo?
gostaria de saber se há base biblica para esse batismo.