Recentemente visitei uma igreja. Não fazia isso há muito tempo, para meus padrões. Antes de me mudar não era raro ir duas ou três vezes por semana à mesma igreja. Mas trocar de cidade me fez ver o quanto é difícil achar uma nova congregação. Fui a várias mas ainda não me fixei em nenhuma, e talvez nem me fixe, dependendo do tempo que fique por aqui. Não que as igrejas sejam muito fechadas. Umas são e outras não, mas o problema é outro. É difícil achar uma em que me adapte. Até por isso não estou indo muito nas igrejas por aqui.
A igreja que visitei é nem pequena nem grande. Uma igreja típica, com gente bem vestida e culto começando atrasado. Começaram cantando um tradicional hino antigo, cinco vezes mais lento que o original, mas ainda assim belo. Passaram a uma série grande de avisos. Um deles chamou a atenção. Aquela igreja está mobilizada em uma grande campanha de arrecadação, que já conseguiu 17 mil reais em dinheiro, e 22 mil se as promessas contarem, com previsão de valores ainda mais altos no fim. Tudo para construir um muro. Exatamente, um muro. Com um quilômetro de extensão, ele protegerá a chácara da igreja. Quis ir embora, mas estava realmente querendo ver a pregação.
A equipe de louvor tocou muito bem. Pena que as músicas eram vazias de significado. Algumas pessoas simpáticas me cumprimentaram na última canção. Logo depois o pastor convidado da noite assumiu o púlpito. Não sei se era devido a minha recém descoberta miopia, ou à gravata de um bonito azul sob aquele terno preto, ou à idêntica cor da pele, ou às orelhas parecidas, mas, da última fileira de cadeiras, eu estava vendo Barack Obama pregar em Português.
Candidato à presidência ou não, aquele pastor tratou de alegrar um pouco minha noite. Não só porque pregou um sermão aproveitável e razoavelmente eloqüente, mas também porque foi o responsável pela leitura bíblica que deu sentido à minha presença ali. Ao iniciar sua exposição, pediu para que abríssemos a Bíblia em Hebreus 11, começando pelo versículo 30, que diz: “Pela fé caíram os muros de Jericó, depois de rodeados por sete dias.”
Uma coisa interessante? Esse versículo não foi utilizado na mensagem. Se o pastor tivesse começado no verso 31 o efeito de suas palavras seria o mesmo. Dizem que é o próprio Deus quem conduz o culto. Se é, saiba, Ele foi bem irônico nessa. Justo quando falam da campanha pra construir o muro Jericó vêm à tona. Foi aí que eu vi que visitar igrejas ainda é legal. Acredite.
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P.S.: Não me leve tão a sério. A tag Humor está marcada. Quer dizer, sei lá…

a realidade, quando não te faz chorar,
também é engraçada, com ou seu tag
de humor marcada. conheço histórias
de igrejas que estão a anos construindo
o novo templo e dizendo que não tem caixa
pra investir em missões. só Jesus!
Heheheheeee… Essas coisas são realmente engraçadas! Vem cá Teo, em que cidade de Rondônia tu moras?
Realmente, Teo, se sairmos visitando igrejas por aí veremos muitas coisas tão ou mais “interessantes” e intrigantes que essa. Mas, quanto a esse caso, onde ficam os órfãos e as viúvas? Bem, eles que respondam.
Abraço, e (ah), respondi o meme para o qual você tinha me convidado há… quase 5 meses atrás (porque só agora consegui providenciar um scanner). Até mais!
Humor? rsrsrsrs
Você é mesmo uma comédia!
Continua visitando e contando pra gente.
beijos
É por essas e outras que sou a favor de igreja construir cercas, alambrados… Dá uma aparência de aprisco e é menos agressivo concepcional e arquitetônicamente e ideológicamente que muros e cercas elétricas… rs
Mas enfim. Há anos que não sei o que é não ir à igreja e ir em outras igrejas que não seja a minha. Estou tão confortável que consigo conviver pacificamente com os avisos quilométricos de todos os cultos e com o louvor desencontrado das quartas-feiras.
[ ]‘s ricardo
É legal sim, nem que seja para ouvir essas incogruências, mas que as vezes dá raiva ah isso sim rs
valeu a pena
Cara… gostei muito desse post do muro. Acredito de todo o meu coração que Jesus estava realmente tirando uma onda em parceria contigo, rsrs.
Abração mano.