Na pequena Ouro Preto do Oeste há igrejas em toda parte. Acho difícil andar um quilômetro que seja e não ver um, dois ou três templos no caminho. Algumas delas são mais antigas que o próprio município. Estão ali desde que a atual cidade não passava de um desordenado assentamento de famílias migrantes. E isso significa que elas têm pelo menos mais de três décadas de existência, em uma cidade que ainda espera para comemorar seus trinta anos.
E qual o papel que o cristianismo desempenha nesse município que foi fundado e se desenvolveu lotado de igrejas? O mesmo que desempenha a fé cristã no Brasil de dezenas de milhões de evangélicos: nenhum. Parece ser um lugar-comum usar uma cidade pequena como microcosmo, mas é isso que Ouro Preto é. A maquete da cristandade brasileira está lá. Os líderes cristãos mais conhecidos são aqueles com vínculos políticos, práticas bizarras ou pretensões megalomaníacas. Os crentes são vistos como alienados, e a imagem da Igreja como um todo no meio da sociedade não é grande coisa.
A diferença é que em Ouro Preto é muito mais difícil ignorar as igrejas. Hora ou outra se passa na frente de uma, ou se usa um templo qualquer como ponto de referência. Até mesmo por isso as igrejas são conhecidas por seus aspectos arquitetônicos, como em todo lugar. Quando visitar aquela cidade não pergunte por igrejas batistas, assembléias, presbiterianas, metodistas, quandrangulares, luteranas ou cristãs. Pergunte pelas igrejas verdes, beges, roxas, amarelas, azuis, ou aquelas que têm uma cruz, ou uma torre, ou uma fachada que parece que está caindo, ou que não tinham teto, ou que têm vitrais coloridos, ou escadarias, ou condicionadores de ar, ou que ficam do lado da escola.
É assim que se conhece o cristianismo por lá – com cores, torres e fachadas. Em quase quarenta anos de presença em Ouro Preto do Oeste tudo que a fé cristã conseguiu foi ser percebida por uma confusão arquitetônica e multicor. Ninguém sabe o que se diz dentro daquelas caixas coloridas, com janelas e pinturas horríveis, hermeticamente fechadas. Ninguém sabe qual a mensagem que aquela construção imponente teima em ocultar. Raras criaturas souberam de algum bem que as igrejas em si fizeram.
Poucos sabem em nome de quem aquelas pessoas se reúnem, e que tipo de notícia anunciam. Os poucos que sabem entenderam muito mal o que lhes foi dito. O percentual evangélico é alto, mas fora das cercas com pontas de lança dos templos o percentual de gente que sabe o que Jesus veio fazer é ínfimo, e as mensagens mais conhecidas são a de pastores anunciando no carro de som cura certa ou usando o programa de rádio pra declarar prosperidade ou vitória política.
Sei que nada disso é exclusividade ouropretense. Como disse, esta é uma visão microcósmica. Como no restante do país, há um mar de evangélicos e umas poucas gotas de Jesus. As igrejas deram certo, mas o evangelho não. Conseguiram crescer, mas se tornaram gigantes irrelevantes.

Oxi Teo! Vc me fez procurar no mapa aonde que fica essa tal Ouro Preto do Oeste… Lastimável pensar em cristãos que não se conhecem e não têm identidade. Em igrejas que se diferenciam pela arquitetura. Num povo que de tão religioso em seguir suas práticas, não segue a Jesus Cristo! Oxi! Quem irá pregar para reavivar essa cidade?
Impressionante como a irrelevância da igreja é constante. No contexto social pouquĩssima coisa mudou, no sentido imoral dela. A única palavra que me vem a mente é deplorável…
Daeh Bicho!!!
Claro que isso nõ é só em Ouro Preto do Oeste, podemos pegar isso em grandes cidades e notas a mesma coisa. Como você mesmo sintetizo “há um mar de evangélicos e umas poucas gotas de Jesus”. Mas que possamos ser gotas limpas no meio desse mar poluído!
ótimo texto! sempre que venho aqui tem
coisa boa. lugar bom pra voltar sempre!
Este argumentos que este autor postou nesse texto, sem dúvida é um grande equívoco, não é pq se tem um vago entedimento em teologia que pode vir com tais argumentos sem fundamentos. o Sr. afirma que o cristianismo não desempenha nehum papel na sociedade de Ouro Preto, como pode afirmar com tanta certeza? onde está a veracidade de tais comentários? Como a fé cristã é percebida através de uma confusão arquitetônica e multicor?
Meu caro, não vim até aqui pra fazer críticas, mas devo lhe dizer que muitas pessoas não gostariam de estar lendo tal comentário, pois sem dúvida este texto generaliza muitas pessoas que lutam dia-a-dia para para o progresso cristão na cidade.
Bruce, talvez eu possa afirmar com certeza por ter morado em Ouro Preto por 21 anos, além de ser cristão e ter freqüentado o ambiente das igrejas ouropretenses semanalmente até recentemente. Lutei pelo Evangelho nessa cidade, não tanto quando deveria, mas o fiz. Mesmo tendo me mudado este ano, visito OPO uma ou duas vezes por mês.
Não sei se você percebeu, mas a crítica não é a Ouro Preto em si. Foi uma forma de falar da igreja no Brasil usando essa pequena cidade como microcosmo. Queira ou não, é isso que tem acontecido. Se você tem algo que contradiz o que disse não se acanhe em apresentar.