Meu texto anterior sobre a Marcha pra Jesus de Porto Velho rendeu comentários calorosos. Minha crítica ao evento foi entendida como uma crítica ao próprio Deus, e até minhas brincadeiras, como a que comparei o pessoal em trombadas constantes com mamutes em debandada, foram interpretadas como falta de amor e farisaísmo.
Chamar-me de fariseu foi uma crítica barata, é claro. Para grande parcela da igreja de hoje pensar, nem que seja um mínimo, é sinônimo de uma atitude arrogante e farisaica. João Alexandre foi mais uma vez quase profético em sua música É proibido pensar, mesmo sendo muitas vezes mais sarcástico do que eu.
Criticaram até o fato de eu ter parado para pensar no meio da marcha. Eu realmente não fui lá pra ficar atrás do trio elétrico. Como cristão devo saber o que é feito em nome de Jesus à minha volta. Não posso ser ignorante a respeito das coisas que dizem ser feitas para o Senhor, como servo dele. Lá estava eu para observar. Valendo a pena, me uniria ao evento. Pelo que vi, não julguei ser algo digno.
Questionaram este julgamento argumentando que eu deveria estar lá para como que celebrar a liberdade que tenho em Cristo. Mais uma vez as pessoas cismam em achar que a liberdade conquistada na Cruz serve pra dar vazão à carne sem culpa. Não adianta dizer que o carnaval não foi a inspiração pra Marcha, pois isso é tapar os olhos. Em nenhuma igreja que conheço em Porto Velho se toca axé nos cultos. Nenhum cristão que conheço nesta cidade põe axé para tocar em seu iPod. Axé não é um ritmo presente na vida da população evangélica rondoniense, mas foi o ritmo que embalou a marcha. Por que será?
Invocar a liberdade em Cristo é cada dia mais usada para justificar perversões. Chega a ser incrível usar a liberdade para dar base ao ato de ir atrás do trio, mas questionar a minha liberdade de julgar atos à luz das Escrituras e do bom senso. Cristo só libertou o corpo e não a mente? Cristo me fez livre para adorar mas não para examinar? Os defensores o indenfensável tropeçam em suas próprias palavras, matam o próprio argumento. Um deles chegou a defender as próprias trombadas enquanto me chamava de fariseu, dizendo que eu estava errado por querer atravessar a rua durante o evento. Fantástico! Ele tem o direito de correr irresponsavelmente em meio às pessoas, mas eu não tenho o direito de atravessar a via pública! Difícil ver culto mais irracional.
A propósito, o pior de tudo é que eu realmente estava brincando quando falei dos trombadores. Eu não esperava outra coisa ao atravessar. Eu sei a muito tempo que cristãos em massa pela rua têm a mesma falta de educação que qualquer pessoa em situação semelhante.
Só pra deixar claro, não sou contra diversão. Sou contra, sim, a dar vazão à carne em nome de Jesus. Quem dançar, pular e trombar, que diga que está dançando, pulando e trombando, não adorando. Os verdadeiros adoradores, que o fazem em espírito e em verdade, agradecem.
Enfim, eu fui bonzinho com a Marcha. Poderia ter falado muito mais. Querem dizer que o evento é de adoração, mas vendem água para arrecadar dinheiro para ir para um congresso em outro estado. Em essência, a mesma lógica dos vendilhões do templo. Dizem que a Marcha é pra Jesus, mas Ele provavelmente dispersaria a multidão às chicotadas depois de ver tudo aquilo.
A pergunta da Claudia é simples, mas pertinente: pra que serve esse evento? A única resposta que apareceu nos comentários foi a de mostrar pro mundo que também fazemos festa, que não somos “caretas”, que temos liberdade, e etc. Ou seja, absurdo. Cristo deixa para a igreja a urgentíssima missão de pregar o Evangelho em sua simplicidade, e as pessoas vão pra ruas mostrar como são festeiras, e como a igreja é divertida.
Em síntese, ao invés de dizerem ao mundo corrompido que Cristo morreu para salvar o pecador, dizem “vejam! Também temos festas e diversão!” Dos argumentos possíveis para defender a prática de marchar pelas ruas, escolheram o pior, aquele que traveste a louca mensagem da cruz num convite para se juntar a um clube divertido. A lógica da Marcha, vê-se, é a lógica deste século. A mensagem de Jesus, a loucura da pregação, fica para os caretas.
Mas quem dera esta fosse apenas a lógica deste evento inútil. Esta tem sido a lógica dos crentes, a lógica das mensagens, a lógica das igrejas. A lógica que torna Cristo insuficiente, tornando necessários atos proféticos, feitiçaria maquiada por versículos bílicos, obsessão por números, desprezo aos princípios bíblicos e aos ensinamentos valiosos da história e de cristãos piedosos.
É difícil ver que os erros estão se repetindo? Que o misticismo supersticioso extirpado pela Reforma está renascendo debaixo de nossos narizes? Que a liberdade de consciência conquistada novamente após séculos de perseguição tem sido questionada novamente? Que a aproximação com o Estado mais uma vez será o gatilho da nossa perda de foco? Que a secularização está roubando nossa identidade e princípios? Que estamos nos afastando de tudo aquilo que nossos irmãos de um passado relativamente recente sofreram, lutaram e até morreram em alguns casos para conseguir? Que nos esforçando para responder negativamente à perturbadora pergunta de Jesus, que questionou se “quando porém vier o Filho do Homem, porventura achará fé na terra?”
Pra concluir, para os que defenderam uma marcha, fica o incentivo: uma caixa de bombons pra quem justificar aceitavelmente o evento usando textos ou princípios bíblicos claros e não-genéricos. Meia caixa pra quem justificar racionalmente de forma aceitável. Um bombom se a argumentação pelo menos seguir uma linha de raciocínio e for coerente. Uma balinha de hortelã pra quem não cometer erros de português. Um chiclete pra quem não me chamar de fariseu. E bênçãos divinas pra quem cumprir os requisitos e abrir mão do prêmio…
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P.S.: ao comentar você estará de acordo que o autor do texto tem o direito de não entregar os prêmios anunciados, a seu exclusivo critério.

Bicho,
Não comentei sei outro post porque não achei nada demais. Entretanto me bateu uma dúvida: Você conhece a história da Marcha? Quais as razões da sua criação e quem a criou?
Imagino que saiba que a Marcha, quando criada na Inglaterra por gente como Graham Kendrick e Lynn Green, era um evento missionário, preocupado em apresentar Deus a um mundo descrente e celebrar a grandeza do seu reino eterno.
Não é porque certas expressões de determinados atos estão descaracterizadas, que estes perdem seu significado original. Que seria da Igreja se fosse desta forma?
Abraços,
Sei, e você comentou nesse por causa dos bombons, hã? Brincadeira =P
Eu ainda acho que Deus é apresentado pelo ouvir da Palavra, não por eventos de multidões.
Abraço!
Ah sim, de qualquer forma, a Marcha brasileira não tem nada de missionária, e se a intenção é celebrar o Reino, a intenção não se concretiza. Realmente, não sei da história da marcha em outros países, mas a do Brasil não se sustenta.
Sim, os bombons foram fundamentais. =)
Não defendo a marcha em PV. Não estive lá, muito embora não tenha razões pra duvidar de sua narrativa, conhecendo a práxis evangélica de nosso país.
Mas volto ao ponto. Não é porque a marcha no Basil supostamente não produz o que deveria, que o evento em si seja ruim. O problema não é a marcha, mas sim quem a organiza (ou quem participa?). Assim como o problema do evangelicalismo no Brasil não é a Igreja, ou os pastores, mas sim determinados segmentos e indivíduos. Trocando a miúde, é bom ter uma visão crítica, mas é melhor saber o que criticar.
E por último, quanto a “apresentar Deus pelo ouvir a Palavra”, concordo. Todavia Jesus também era chegado em “eventos de multidões”. Creio que Jesus mesmo estabeleceu o modelo onde os dois elementos que você mencionou andam juntos. Mas vejam só, ate no caso dele, havia uma multidão que o seguia, e uma multidão que seguia a multidão. Nem por isto Ele desistiu.
Se você tiver tempo, dê uma pesquisada sobre a origem da marcha. Tem alguma coisa no site do Graham Kendrick, e tb no Site Internacional do Movimento.
Abraços,
Estevam, eu não critiquei por criticar. Você reconhece que a minha narrativa condiz com a atual situação evangélica do país porque, realmente, eu fui ver antes de falar. Eu não estava predisposto a condenar, eu critiquei o que vi.
Se eu tivesse visto ordem, respeito e, principalmente, direção divina e bíblica por parte da liderença, eu apoiaria, faria um relato bem diferente. Quando eu escrevi “os que defenderam uma marcha” cometi um erro de digitação, que inclusive vou corrigir assim que possível (é difícil fazer login no WP aqui no trabalho). Não queria deixar genérico, pois tudo o que disse até aqui é contra o evento específico. Veja que no texto original falei contra a Marcha daqui de Porto Velho e o evento paulista. Não mencionei nenhum movimento de fora do país, porque desconheço. Sabia da marcha na Inglaterra, mas não conhecia seus fundadores ou sua prática – e só me interessei em saber agora que você mencionou.
Não sou contra multidões ou exposição pública. Já saí pra evangelizar nas ruas, em massa. Mas nas ocasiões em que participei as pessoas agiam diferente, as orações eram diferentes e as motivações eram diferentes.
Não considero seu texto, crítica pela crítica. =)
E entendo perfeitamente que seu ponto de vista, salvo a exceção que você mesmo mencionou, referem-se a eventos específicos. (O mesmo não posso dizer de todos os que comentaram no outro post….) Mas você há de concordar que argumento irrefutável é baseada em amplo conhecimento de causa.
Bom, é isto ai. Espero que num futuro próximo sua experiência com a Marcha seja diferente. Quem sabe, você poderia organizá-la, trazendo-a ao seu propósito original? =)
(claro, estou brincando… mas quem sabe?)
Outros abraços,
Hehehe, existe muita coisa precisando ser trazida a seus propósitos originais, a Marcha é só uma delas. Deus dê força àqueles que devem estar à frente desse retorno.
Meu convite não era para refutar meus argumentos. Jamais considerarei um argumento meu irrefutável. Aprendi isso mais do que na prática em anos de fóruns, hehehe. Sempre estou aberto a questionamentos e discordâncias, sempre pronto a reconhecer o erro se preciso. O convite era para embasar as práticas do evento à luz da Bíblia e do bom senso, o que ninguém tentou fazer – preferiram apelar. Talvez fui exigente demais. As pessoas têm sido criadas na fé assim nas igrejas.
Enfim, que seu exemplo de discordância educada e respeitosa sirva para os comentários com opinião divergente da minha. Pode ir buscar o chocolate lá em casa, hehehe
Penso a mesmissima coisa que você e não digo isso para lhe agradar, não estou sujeito a isso!
O que se vê mais são vendedores de religiões! Vendilhões do templo!
Se essa gente tivesse o mesmo entusiasmo, como você dá muito bem a entender, em anunciar o evangelho o islamismo, por exmplo, não aumentaria tanto no mundo.
Qual a melhor maneira de manter os crentes nas igrejas sem consciência da situação do mundo: Raramente falar de missões, uma conferênciazita missionária de vez em quando não faz mal a ninguém! Pregar sobre as obrigações dos crentes, se possível assustá-los com o inferno, e assim mantê-los no cativeiro que é a igreja; Fazer festas de louvor “TREMENDAS”; falar muito de bençãos…etc. etc. E enqunato o crente faz a festa os pecadores vão tranquilamente para o inferno!!!
os prêmios são por ordem de importância? pq eu acho chiclete mais interessante que balinha de hortelã… =p
rs… brincadeiras à parte, acho triste isso de fazer um tópico pra justificar outro. não, não falo sobre vc fazer, mas sobre a necessidade disso. seria muito mais simples se as pessoas estivessem abertos a entender o outro, o que o outro disse, antes de sair falando qualquer coisa… no mais, concordo com tudo. e pode ser que a Marcha em outros países tenham outro tipo de objetivo, ou que cumpram mesmo o objetivo, mas infelizmente isso não ocorre no Brasil. e não é só aí em Rondônia, nem em SP (e eu posso afirmar com certeza, por já ter participado), mas é uma distorção do que é preciso fazer, ou de como se deve fazer, por todo o Brasil. por grande parte das igrejas e eventos evangélicos. e é lamentável.
inté!
Lavrador, o Evangelho tem sido maquiado pra ser mais divertido. As pessoas querem o mundo tal como é, o jeito é trazê-lo pra dentro da igreja.
Sarah, esse é o maior problema. Eles não simplesmente discordam de mim, mas chegam a me xingar. Ridículo.
Meu irmão continue assim!
Deus o abençõe!
O simples fato de tocar axé na marcha intriga vcs???
O q me leva a pensar.. q é proibido pensar.
como já dizia o texto e a música do grande João Alexandre..
q por sinal é tão conhecido como o axé… aki em Porto Velho..
não é verdade ???
Caro autor do texto.!
Parem de tentar achar .. algo de tão tenebroso..
em um simples ritmo…
alias..
Do q satanás é pai msm???
apenas da mentira..
Pq o resto..
tudo foi criado por Deus..
ou é contestável essa afirmação???
A paixão por Deus me leva a crer que..
As coisas que eu faço pra Ele,nunca poderão ser julgadas pelo homem.
Seguindo isso,vejo a grande falta de jus dos homens terrenos de tentar decifrar a alegria que as pessoas tem em louvar a Deus.
Analisando os dois lados,porém vejo algo de verdadeiro nas afirmações desse texto,
algumas coisas são desprezíveis,aliáis,somos homens(sinônimo de fragilidade)se tratando de objetivo!
Pois tenho certeza que como proclamadores do evangelho,não poderiamos conceder respostas tolas,como:Vamos pra Marcha apenas para estravazar! -ou algo do tipo!
Voltando ao assunto em questão,creio que infelizmente as coisas que são boas parecem ser escritas em longos caminhos de areia, e as coisas ruíns em rochas!
o fluír do Senhor não é respondido com baderna , ou qualquer tipo de desordem,
contudo volto a afirmar, Qual o lugar que não existe pessoas que fazem coisas por impulssos? e algumas delas apenas para prejudicarem,a imagem das outras??
Nem a igreja.. que para mim,deveria estar livre(em tese) de tipos de vândalos e ignorântes não escapa!
MAs esse é o mundo em que vivemos,e sabemos que isso é apenas o íncio do fim,
como já dizia o grande Pregador Luo!
Bom..
é um seguinte… galera.
já que o pessoal está discutindo uma coisa superfula..
devemos discutir qndo e como iremos tentar armenizar a fome do nosso próximo .. com campanhas.. e multirões,a favor do nosso próximo!
Devemos nos unir por causas certas,
as pessoas deveriam deixar a religião de lado .. e sair em busca de humanidade,caridade…e compreessão!
Nesses dias de frio em Porto Velho, como deve está as pessoas que moram nas ruas??
Ajude-nos a tirar as pessoas do seu próprio mundinho,e olhar para fora.. ao seu redor!
vamo lá ..
;D~