Sangue como preço da ação

E acabou que eu resolvi escrever sobre a tragédia. Não, não é apenas a tragédia recente da aviação. Não vou sequer mencionar o nome da companhia aérea, o número do vôo ou o nome do aeroporto. Não quero gente vindo do Google e caindo de para-quedas aqui. Não consigo tirar proveito de uma tragédia para aumentar os acessos. Não vou fazer como a mídia e explorar o fato. Vermes e abutres tiram proveito dos mortos. Homens choram pelos que se foram.

Como disse, não quero falar especificamente do acidente do avião, mas parto dele tentar entender por que a maioria das pessoas só se movem de seu conforto quando muita gente morre. E isso não se aplica apenas a aviões, mas a vários aspectos da vida humana.

Quando em uma estrada passo por curva fechada que tem proteção lateral, lombadas e muitas placas alguém quase sempre diz dentro do carro: “pra ter toda essa proteção, muita gente morreu aqui”. E geralmente é verdade. Uma curva bem sinalizada e com todos os aparatos de segurança necessários tem muitos acidentes no histórico, e a proteção só veio depois de a maioria deles ter acontecido, via de regra.

Antes de pessoas morrerem ninguém tinha pensado em segurança. Era uma curva perigosa, mas as pessoas que percebessem e a fizessem com cuidado com seus carros! Passa-se pela análise, pelo projeto e pela implementação, mas as pessoas acabam sendo consideradas depois que elas já morreram. Um pai tem que perder seu filho ou uma mulher tem que perder seu marido para que as medidas que deviam ter sido tomadas muito tempo antes passem a ser consideradas. Não bastam avisos, estudos, testes ou simulações. Para que as pessoas se movam e se comovam tem que existir sangue e pedaços de corpos espalhados.

Quem sabe um dia alguém entenda porque o homem desconsidera em seus planos e projetos a sua própria espécie, seu próprio semelhante.  E espero que essa pessoa entenda e nos diga o motivo. Quem sabe assim consigamos mudar, e então as pessoas exigirão um número menor de famílias desconsoladas para poder agir da maneira certa.

4 Respostas para “Sangue como preço da ação”

  1. Sarah Disse:

    Teo! Gostei mto do seu comentário… realmente, é preciso que coisas ruins aconteçam pra que comecem a valorizar a vida das pessoas. E não basta uma tragédia, é preciso várias… E mesmo assim eu ainda tenho minhas dúvidas de que tanta movimentação seja mais que momentânea. Porque vendo outras, percebemos que é coisa do momento. O tempo passa e as pessoas esquecem… Talvez isso seja o mais triste. Ver que os seres humanos estão cada vez menos humanos…
    =(

    Bjim, até.

  2. Blog Esponja ® Disse:

    Encontrei seu blog no site outdoor online.
    O nome Rondônia me chamou atenção e ao entrar vi que tem um blog com textos bem interessantes.

    Parabéns!!

    Blog Esponja ®
    http://www.blogesponja.net

  3. Pablo Disse:

    Super maneiro seu blog!
    Gostei do artigo do avião, daquela empresa com aquele número.

  4. Adriano e Carmen Estevam | Minha Seleção da Blogosfera Cristã em 2007 - Jocumeiros Disse:

    [...] at Jequié Como?! Você não sabe onde fica Jequié, a Cidade Sol?. Em Cidade Sombra - Joe Edman Sangue como preço da Ação Ético. Em Um Bicho de Rondônia - [...]

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