Estava desconfortável, escuro e frio…
O cheiro dos animais invadia o curral
Onde a virgem Maria trouxe ao mundo
O Príncipe da Paz, o único capaz
De transformar o caos em harmonia,
A tempestade em calmaria,
Corações sujos como aquela estrebaria
Em um lindo shopping center decorado pro Natal…
Estava ouvindo esta música do Fruto Sagrado. E enquanto ouvia pensava profundamente sobre o nascimento de Jesus. A certa altura, pensei “por que estou ouvindo esta música se ainda não é dezembro”? Um pouco depois pensei “por que estou questionando estar ouvindo esta música fora de dezembro”? Então lembrei: “ah, sim, é porque se comemora o Natal em dezembro”.
Então comecei a pensar mais nisso. Lembrei como é difícil ver gente falando sobre o nascimento de Jesus fora das semanas que antecedem o Natal. Lembrei como é raro que se cante ou se ouça músicas que falem do nascimento de Cristo fora da época de Natal. Lembrei como até mesmo nas igrejas o nascimento do Messias é abordardo praticamente apenas no final do ano. Imagino que quase todas as pessoas que lerem o começo deste texto estranharão que uma postagem datada de Outubro fale sobre as circunstâncias do parto do Emanuel. Chego a conclusão com isto que o Natal, como boa parte das datas comemorativas, tem efeito reverso.
A intenção da data comemorativa é até boa. A razão de uma data especial existir é fazer com que as pessoas lembrem de algo importante naquela data. Entretanto, esta prática tem complicações sérias: as pessoas passam a se lembrar do algo importante apenas na data separada!
Para citar um exemplo, lembro de uma música antiga que diz:
Eis morto o Salvador, na sepultura
Mas com poder, vigor, ressuscitou!
Da sepultura saiu, com triunfo e glória ressurgiu!
Ressurgiu vencendo a morte e seu poder,
Pode agora a todos vida conceder!
Ressurgiu, ressurgiu! Aleluia, ressurgiu!
Lindíssima canção. Amo esta letra. Contudo, já fui testemunha de alguém que considerou, de certa forma, uma tolice cantar esta música em uma ocasião que não a Páscoa. A Ressurreição do Salvador, por meio de uma bela música, teria data específica para ser lembrada?
Por estas e outras, sou contra as datas comemorativas, especialmente o Natal. Se tudo indica que Jesus não nasceu em Dezembro, e se a idéia do 25 de Dezembro faz as pessoas esquecerem do nascimento mais importante da história o restante dos dias do ano, por que continuar comemorando o nascimento de Cristo nesta data? Se as datas comemorativas acabam tendo efeito tão prejudicial, então digo não a elas, e recomendo (sem qualquer sucesso, admito) que as pessoas façam o mesmo.
Ainda existe outro problema, talvez o pior deles. A melancolia que sinto em datas especiais, tanto pelo tempo perdido em um feriado inútil quanto pela hipocrisia das pessoas nestas datas, em especial no Natal, sempre ele, me faz muito mal. Tenho até calafrios quando lembro que daqui a dois meses e meio vou ter que encarar mais um Natal. Deus me ajude, tanto a encarar as tristezas dos feriados quanto a lembrar do nascimento do Redentor todos os dias do ano – até mesmo em uma quente noite de início de Outubro.

Acho que se não houvesse feriado, talvez as pessoas não se lembraria em data nenhuma.
Feriado é uma palavra triste, mesmo sendo “Natal”, não deixa de ser triste.
Antigamente quando era criança era menos triste, afinal não sabia direito o que era, mas estavámos todos reunidos na casa da minha vó. Hoje em dia, ficamos em casa esperando o dia passar pra voltar ao trabalho.
Feriado é bom, porém é triste. A gente espera tanto um feriado e, quando vai chegando dá um aperto no coração. Aliás ultimamente tudo está dando aperto no coração, se amanhece, se anoitece, se chove ou não ( acho que preciso ir ao cardiologista ).
bah esse post me trouxe saudades, eu cantava essa musica no coral da igreja…
Wow! Me identifiquei muito com esse post! Sempre penso nessas coisas. Elas também me incomodam profundamente. Pensar em Cristo, seu nascimento, morte e ressurreição… Isso deve ser feito freqüentemente, se não todos os dias (algo talvez impossível.
Mas acho importante ter uma data. Acho que se não houvesse, nem nesse dia se lembrariam.
Não sei, se posso definir isso como melancolia, mas o feriado não necessariamente deve ser visto como aquilo que teoricamente era para se comemorar. Enjoy it with friends or family!
[...] Há nove dias não escrevia. Raramente fiquei tanto tempo sem postar algo. Deve-se às festas de final de ano, acho. Não que eu esteja envolvido com algumas delas. Pelo contrário: caso eu fosse escrever, sairiam palavras de repúdio, nojo ou desprezo por estas comemorações, inclusive o Natal. Coisas do tipo já fiz em outras oportunidades. Não vale a pena repetir este mantra da minha insatisfação com as datas comemorativas. Corro o risco de me tornar chato e inoportuno (se é que já não me tornei) Tavez alguém pergunte: mas o que faz este bicho que não atualiza o blog? Faço muitas coisas. Continuo trabalhando. Mesmo Jogo (ou Same Game: quem lê entenda) me ajuda no serviço, entre uma linha de código e outra. Entre alguns minutos (posso contar uma noite em minutos, não posso?) de Warcraft, umas partidas de Fifa 2007, um pouco de Beethoven, um pouco da Bíblia, um pouco de Dostoiévski, um pouco de C. S. Lewis, um pouco de Chrno Crusade, um pouco de contrabaixo e um pouco de discussão com amigos sobre Warcraft, Fifa, Beethoven, Bíblia, C. S. Lewis, Chrno Crusade e outros animes, acabo fazendo um lanche, dormindo ou me entregando a algo inútil como o Orkut. [...]